Ações integradas garantem eficiênciadas políticas públicas

Durante a décima edição do Fórum Social Mundial (FSM – de 25 a 29 de janeiro), a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC/MinC) e o Pontão Ganesha promoveram uma atividade denominada Cultura e Comunicação: ações colaborativas para políticas públicas, que reuniu representantes de Pontos de Cultura dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também de Minas Gerais e São Paulo.

Foram dois dias de roda de prosa, nos quais os participantes tiveram a oportunidade de conhecer os trabalhos desenvolvidos em diferentes regiões do Brasil, trocar experiências e debater assuntos relacionados aos temas em questão.

No dia 27, o bate-papo se concentrou no tema “Pontos de Cultura e gestão Compartilhada: Outro mundo possível na gestão cultural”. (Assista ao vídeo da transmissão realizada pelo Pontão Ganesha). 

Alguns exemplos de ações integradas, como o apresentado por Jussara Cony, gestora da rede Cultura e Saúde e superintendente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), comprovam a riqueza de se aliar áreas totalmente diferentes, que naturalmente poderiam ser consideradas incompatíveis, mas que na verdade juntas abrem novas perspectivas de articulação e conexão com os governos. O GHC, por exemplo, foi pioneiro na integração entre políticas que relacionam cultura e saúde no Brasil. “Para nós, cultura e saúde caminham juntas para ampliar o desenvolvimento social, assim como cultura e comunicação, comunicação e tecnologia. São áreas que sempre foram esqucidas pelos nosso governos”, justificou.

 

Essa ideia foi confirmada por Célio Turino, Secretário de Cidadania Cultural do MinC, já no início de sua fala. Ele lembrou que a última década foi um período de reconquistas por parte dos movimentos sociais, um processo iniciado em 2001, quando realizou-se o primeiro Fórum Social Mundial. Ele explica que esse comportamento da sociedade foi semelhante a um basta em relação às carências sociais que se observava, inclusive no que diz respeito à liberdade de expressão. Para que isso acontecesse foi necessário buscar novas alternativas e espaços para atuação.

Foi nesse contexto, por exemplo, que surgiram ações como o Projeto Cultura Viva, que possibilitou a potencialização dos Pontos de Cultura. Esse, segundo afirma, é um processo ainda está em curso, e a participação do governo é indispensável: “Incorporar o Estado no processo dessa mudança é indispensável, mesmo que ele ainda seja um instrumento de dominação”, complementa.

Essa nova realidade nas políticas públicas relacionadas à cultura, comunicação e às artes é considerada revolucionária por Jéferson Assumção, Secretário de Cultura de Canoas, que destaca a impossibilidade de se controlar a produção cultural. “Não se pode centralizar a cultura. Cabe ao Estado a sustentação para que as ações realmente gerem frutos, mas a produção não pode estar concentrada em suas mãos”, justifica.

Reforçando essa necessidade de participação do Estado, Thiago Skárnio, representante do Pontão Ganesha, ressaltou a importância de que as políticas públicas culturais estejam garantidas na agenda dos candidatos nas eleições de 2010. Isso é importante para assegurar a continuidade das ações. “Assim como a comunicação tem buscado ser reconhecida como direito público, a cultura também deve estar nessa batalha”, afirmou.