Assista a gravação do primeiro dia das Rodas de Prosa Cultura e comunicação no FSM10

Pontos de Cultura para um mundo possível

 Na manhã do dia 27, a roda de prosa “Pontos de Cultura e gestão compartilhada: outro mundo possível na gestão cultural”, teve lugar em Canoas (RS) – cidade da Grande Porto Alegre onde acontece parte das atividades do Fórum Social Mundial:10 anos (FSM10).

A conversa foi a primeira parte da atividade Cultura e comunicação: ações colaborativas para políticas públicas, que segue amanhã na Câmara Municipal de Canoas – ação realiza pelo Pontão Digital Ganesha (SC) e a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC/MinC).

A Fundação Cultural de Canoas recebeu Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, em grande parte integrantes da rede Cultura e Saúde, Santa Catarina e Paraná, além de Minas Gerais e São Paulo.  A roda de prosa começou com a cantiga de Dona Cirlei, 74 anos, griô de Pelotas (RS), que fez uma saudação aos participantes.

Integração e reconhecimento
A gestora da rede Cultura e Saúde, e superintendente do Grupo Hospital Conceição (GHC),  Jusssara Cony, lembrou que há 10 anos, na primeira edição do FSM, vivia-se um “desmonte da perspectiva de vida” com o Neoliberalismo, chamando o período de “fim da história”. “Hoje, buscamos novos caminhos de articulação e integração com os governos, em busca de políticas públicas resultantes de uma real construção coletiva”, afirmou. “Para isso, temos que ter paciência revolucionária!”.

O GHC, chamado por Cony como “caldeirão de cultura”, tornou-se a primeira rede de integração entre políticas que relacionam cultura e saúde no Brasil – rede que busca o reconhecimento do movimento cultural nas unidades de saúde do grupo e seu entorno. “Pensamos cultura e saúde afim de ampliar o desenvolvimento social. Os Pontos de Cultura também são hoje essenciais na construção de uma nação”, finalizou.

Thiago Skárnio, representante do Pontão Ganesha, atentou para que as Políticas Públicas Culturais estivessem asseguradas na agenda dos candidatos nas eleições 2010, afim de garantir a  sua continuidade. “Assim como a comunicação tem buscado ser reconhecida como direito público, a cultura também deve estar nessa batalha”, afirmou.

O Ganesha tem como foco o jornalismo cidadão, através da apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TICs), para um exercício pleno da cidadania. Animação de redes, oficinas de formação e produção de conteúdo estão na malha de ações do Pontão Digital sediado em Santa Catarina.

Sujeito histórico e novos editais
Para o Secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, referindo-se às considerações de Jussara Cony,  houve um momento em que o diálogo entre sociedade e Estado estava “travado, inclusive no campo da luta das ideias”. Os anos 90 teriam sido “intimidatórios” quanto a alguns aspectos da liberdade de expressão.

Já a nova década foi de reafirmação, resultado de um movimento como o FSM. “Incorporar o Estado no processo de mudança é indispensável, mesmo que ele ainda seja um instrumento de dominação”, apontou. “Temos um Estado em disputa hoje. Algumas fendas foram abertas. São nelas que trafegam ações como os Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva”, disse. Turino acredita que seja essencial “trabalhar no sentido do sujeito histórico (empoderamento), trabalhando a relação entre Potência e Afeto, como Spinoza. É um campo de diálogo que deve ter seu lugar”, relacionou.

O secretário acredita que “o salto de civilização” deve acontecer após uma “costura de muitas redes”, buscando integrar a cultura em um sentido transformador, “articulando Ética, Estética e Economia” – sua visão do que seria cultura.

Ele anunciou que, a partir de meados de fevereiro, serão lançados uma série de editais da SCC/MinC: Interações Estéticas, Tuxaua, Pontos de Mídia Livre, Prêmio Asas e outros que estão “ainda em construção” e que serão brevemente anunciados.

Jefferson Assunção, Secretário de Cultura de Canoas, apontou que a ideia do Ponto de Cultura revoluciona por colocar a produção cultural fora da mão do Estado. “É Impossível realmente centralizar a cultura. Cabe sim ao Estado o papel de sustentação, de ser uma inteligência capaz de gerar frutos”, avaliou.

Desta forma, a perspectiva de “belas artes, ornamento e distinção ligados à cultura”, continuou Assunção, “vem abaixo com esse novo paradigma, com um vetor de cidadania trabalhando conjuntamente com o vetor do avanço das linguagens artísticas. O periférico caminha também ao centro, pois não se pode mais ver a cultura como um centro único”.

No dia 28, a roda de prosa, que acontece na Câmara Municipal de Canoas, aborda o tema “Cultura e comunicação: ações colaborativas de fomento”, com a presença de Juana Nunes, coordenadora de Articulação e Mobilização em Rede da SCC/MinC), Paulo Sergio “PC” Barbosa,  representante da Ação Griô na Comissão estadual dos Pontos Cultura RS, Julia Basso, do Pontão de Cultura Kuai Tema (Paraná) e Vania Pierozan (pontinho de Cultura CuriosaIdade – RS).

Texto: Zonda Bez (SCC/MinC)